domingo, 8 de novembro de 2009

Para (não) entender

domingo, 8 de novembro de 2009
Não pense que estou menos surpresa que você!
Surgir tudo assim, tão de repente...
Mas as coisas não acontecem como a gente quer, não é mesmo?
Nem nos momentos em que a gente não planeja.
E você foi, com certeza, a melhor surpersa que eu tive! (Você sabe disso.)

Entendo que devemos analisar aqui todas as opções, diante de uma escolha única.
Mas essa escolha dá margem a infinitas possibilidades, entende? 
Pelo menos eu vejo assim o que nós podemos ser...

Não pense, também, que eu estou com menos medo que você...
Eu também tenho um bom histórico de relacionamentos que não deram certo...

Você me pergunta com o seu sorriso tímido o que eu vi em você?
Confessso que eu também não sei....intuição, talvez.
Na verdade acho que fiquei cega por um momento, porque não parecia ser
nada real.
Agora parece que estava sonhando mesmo, ficou tudo tão distante...

Enfim, tudo isso é pra dizer de novo que sim!
Pra sessar todos estes jogos...eu me rendo...

Falamos tanto para que tudo comece certo e, no entanto, aqui estamos.
Quer dizer, eu aqui. Você .

Já falei isso, mas não me importo em repetir...
Faço o que você quiser pra te provar que a cada dia que passa, gosto mais de você....
E não tenho idéia onde isso vai me levar!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mantra

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tão bem...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009


"Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem..."

domingo, 18 de outubro de 2009

Prólogo

domingo, 18 de outubro de 2009
Os dois andavam de mãos dadas; pés descalços na praia quase deserta. Para ela, era tão estranho estar ali com ele. Os braços dele envolvendo-se em sua cintura, enquanto ela procurava por algo que era tão íntimo, uma porta que só ela continha a chave. Mas ele garantiu que estava ali por vontade própria, que era seu desejo acompanhá-la. Então, ela consentiu. No entanto, não convencida, procurava algum incômodo no rosto dele, fitando-o por minutos enquanto as ondas batiam suavemente sob seus pés. Nada. Ele mantinha o rosto sereno, e quando encontrou seus olhos, beijou suavemente os seus cabelos, afagando-os. E ela pode sentir mais perto seu perfume.

Foi, então, que chegaram ao local. Constrangida, imediatamente ela lhe deu as costas. Inútil, podia sentir seus olhos da mesma maneira. Mas era uma tarefa que ela tinha de cumprir. Sozinha. Removeu o baú com cuidado para dentro da porta escancarada no meio da areia. No mesmo momento, ainda que involuntariamente, as lágrimas foram mais fortes que ela. E pouco depois ela soluçava. Não que aquilo tudo ainda a afetasse da mesma forma, ou que estivesse arrependida por estar dando adeus. Sentiu-se pior ainda por fazê-lo estar ali, presenciando aquilo.

Foi, então, que ele também se ajoelhou. Sem olhar em sua face constrangida, fechou suavemente a porta e estendeu sua mão firme, pedindo a chave. As mãos dela, trêmulas, lhe entregaram. Assim, ele trancou rapidamente todo aquele passado, tentando aliviar a dor que ela sentia. Ainda desnorteada, ela levantou-se e ele a puxou para seu peito, lhe deu um beijo suave na testa e entregou a chave.

Ela percebeu como era importante tê-lo ali. Que não era apenas por saber que ela estaria melhor com ele ali, egoísta. Mas era preciso que ele entendesse o seu passado, como faz parte do que ela é agora. Do que ela será no futuro. Ainda que uma pequena parte dela. Por isso mesmo, ela não pegou a chave de volta. Entregou o objeto frio a ele e o beijou, com a maior paixão que ela poderia naquele momento. Ele, por sua vez, jogou a chave ao mar. Sorriu e envolveu as mãos firmes em sua cintura.

Saíram deixando pegadas mais fundas, à medida que a maré subia e o sol já se preparava para descansar. Ela agora, com a cabeça repousada em seu ombro. Contegiada por sua despreocupação. Tomada pela intusiasmo do futuro incerto. E pensava como essa era a primeira de muitas chaves que ela pretende lhe dar. Espera que, pelo menos, a mais importante delas, ele saiba guardar....

(Continua...)




quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Talvez desta vez parecerá correto

quinta-feira, 15 de outubro de 2009



"Maybe we're losing all reason in our silly fights
Maybe this time it'll seem right
I wanna tell you 'bout
The day we first met and
How I feel when you're holding me tight
Oh, and how you've changed my life"

NOTHING BUT A SONG - TIAGO IORC


*Gente, de onde saiu esse moço?
Que voz é essa??

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bodas de Erva?!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Pois é, o nome não poderia soar mais estranho.
Mas o fato é que que quando um casal completa 29 anos de casados, eles comemoram 'Bodas de Erva'.
E mais um ano eu participo ativamente da comemoração - ou melhor, da celebração - do casamento dos meus pais.
Isso, inclui, ajudar ambos a escolher os presentes um para o outro (é como se eu fosse a amiga-cupido do casal 20); além de escolher um presente especial que me deixe fora do programa (porque eu tenho simancol e gosto de dar privacidade aos pombinhos).
Mas a verdade é que ver os meus pais comemorarem mais um ano juntos dá aquela pontinha de esperança que toda pessoa procura na vida! A verdade indescutível diante dos meus olhos.... que um dia eu vou achar a tempa-da-minha-panela, ou a metade-da-laranja, etc.
A história deles é estranhamente intrigante, como a dos casais de romances que compramos em livrarias ou vemos na tevê. O que dá mais um empurrãozinho na ilusão da tampa...etc.

Há mais de 30 anos atrás as coisas eram diferentes no mundo. Meu pai trabalhava como bancário e vivia com a mãe e a irmã caçula. Os outros quatro irmãos já tinham casado e a formavam sua família.
Ele tinha acabo de terminar um longo relacionamento, e restava alguns eletrodomésticos e um terreno, fruto do antigo-futuro-casamento.
Apesar do jeito tímido e desajeitado do rapaz alto, magro, com óculos espessos e estretamente educado - voz de locutor de rádio - as moças pareciam ser muito gentis com o meu pai, principalmente porque ele era um bom partido para a época: tinha carro, um bom cargo em um grande banco, casa e até mesmo eletrodomésticos! E ter cruzado as interesseiras, o fez um tanto seletivo.
Além disso, a saúde de minha avó não era mais a mesma e ele cuidava das duas, minha avó e a irmã caçula.
Com a minha mãe era a quase a mesma coisa. A não ser pelo fato de que, filha única, ela ainda possuía ambos os pais. Um pai presente e ativo, mas uma mãe com a saúde frágil e delicada - minha avó sempre foi um dos centros da nossa preocupação, até que ela se foi, como um dia iremos todos nós.
Minha mãe era uma moça bonita, com cintura fna, pés pequeno, cabelos preto-azulado com cachos e uma pele clara. Simpática, falante e geniosa - acho que sei de quem puxei uma coisa aqui.
Ambos frequentavam o mesmo lugar todas as terças-feiras, à noite. Meu pai já havia notado a moça simpática da biblioteca, mas nunca realmente chegou a se aproximar - cautela desde o último relacionamento desastroso, talvez? Meu pai é uma pessoa muito comprometida. Do tipo sério o bastante para se decepcionar de uma maneira surreal com a falha, ainda que não seja a sua (ops, mais uma característica minha aqui!).
Foi então que em uma terça-feira, ele resolveu tomar coragam e alongar a conversa com a simpática moça da biblioteca, apesar de possuir todo e cada livro que estava ali. Assim ele fez algumas vezes, até tomar coragem para convidá-la pra sair.Aparentemente, a moça não era comprometida com ninguém. Estava sempre acompanhada pelos pais, pelas amigas. Não usava aliança.
Ainda assim ele levou uma negativa. O fato é que meu pai não percebera uma terceira pessoa ali, por quem a minha mãe nutria sentimentos inutilmente - acho que entendo um pouco mais sobre mim por aqui também - mas ela nada revelou sobre isso.
A negativa não desestimulou o meu pai. Ele manteve, com habilidade, a sua posição como 'amigo', fingindo ter sob controle outras intenções. Sua irmã caçula começou a frequentar o mesmo local e uma amizade surgiu entre as duas - que oportuno!
Durante poucos mais de um ano foi assim. Meu pai ali presente como 'amigo', mas sempre atencioso demais. Presentes, cartas, cartões de natal, páscoa. Ficou mais íntimo da família toda. Mas sempre se declarava como seu irmão, e se referia á ela como irmã no sentido cristão da palavra mesmo.
Meu avô aos poucos foi reconhecendo o rapaz gentil e falante que ele via anos atrás entrando no ônibus que conduzia na região do Pari, quando trabalhava na Sec. de Transportes. Sim, era ele mesmo, meu pai. Coincidência?!
Algo mudou nesse meio-tempo, minha mãe desistiu do amor platônico e olhava com outros olhos o irmão de sua amiga. Quando, estimulado pela irmã caçula, ele convidou sua amiga para sair com segundas intenções, que ela percebeu, ouviu um 'sim'. Parecia não ter sido pega de supresa. A estretégia do meu pai finalmente deu certo!
Saíram e a noite foi tão agradável que meu pai ousou fazer A pergunta que há tempos estava em sua mente:
- Você quer casar comigo? (Ousado demais, certamente ele pensou). Sim, meu pai pulou algumas partes e foi realmente direto ao ponto! Surpresa, minha mãe sorriu e sugeriu que eles namorassem primeiro.
Pouco mais de um ano foi o suficiente para acertar o que precisavam - casa, eletrodomésticos, enxoval, igreja, festa. Minha tia também já estava noiva, tudo se ajeitava. Minha avó paterna partiu e o meu pai mudou-se para a casa de minha mãe, esperando a data do casamento chegar.
O casamento foi simples, mas uma bela cerimônia. Minha mãe estava linda, com um vestido tradicional, radiante e parecia tão pequenina ao lado do meu pai, sempre legante em um terno escuro. O álbum de casamento é de causar suspiros...
Depois de sete anos, eles ganharam companhia...eu!
(A sortuda na história sou eu, com certeza...é uma honra compartilhar todos os dias essa felicidade! E de uma forma que eu sei que é possível, sempre assim....sempre fomos nós três!)
Recentemente se foram os meus avós maternos... nossa cadelinha Perra, minha quase-irmã. Que saudades de todos! Mas nos restou a caçula, minha gata Kate, além de um casal de canários que aumenta a prole todas as primaveras!

E assim vivemos felizes, todos os dias. Claro, temos uns problemas aqui e ali. Mas não há um dia sequer que eu possa recordar em que meus pais tenham brigado ou se separado por motivo que seja. Eles discutem, sim, por razões banais e sempre se entendem.
Não há um dia em que meu pai esqueça de levar café na cama para minha mãe...ou segurar sua mão enquanto estão andando em qualquer lugar que seja...ou não lhe dê presentes especiais em datas comemorativas como esta, surpreendendo-a. Sempre uma jóia delicada.
E ela está sempre cuidando das coisas dele espalhadas pela casa, lembrando de datas de exame e se compras, fazendo sua comida preferida. Sem falar que é a parte super ciumenta do casal. Foi hilário sua face carrancuda me contando quando meu pai recebeu uma cantada homossexual - poxa, dessa ela não podia ter ciúmes, vai?!

E eu? Recebo o melhor dos dois - presentes em todas as datas especiais, jóias delicadas, café na cama quase todos os dias, bronca pelas coisas deixadas pelo caminho, recados lembrando-me de consultas e contas a pagar. Ainda que buscassem, nenhum deles parecia saber que um dia se encontrariam e que seria a família que somos. E hoje, a idéia de perder um ao outro traz um preocupação surreal aos dois, dá pra ver o pavor em seus olhos quando tem alguma doença, quando houve um acidente de carro. O mesmo acontece comigo, claro. Afinal, somos nós três, eu e o casal 20...até o fim! E vendo a felicidade dos pombinhos, acredito mais nos contos-de-fada-da-vida-real, tão típoco nas propagandas de margarina.








* Impossível não pensar em você, nas nossas possibilidades, quando eu vejo o quandro à minha frente. Penso o quanto de fantasia existia no seu relato, descrevendo nosso casamento na praia ou o seu desejo de termos um filho. Será que um dia nós vamos estrelar também um comercial de margaria?

sábado, 3 de outubro de 2009

Silêncio ensurdecedor

sábado, 3 de outubro de 2009
"Penso, com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi um tanto unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada - apenas me ferem muito esses teus silêncios."

Caio Fernando Abreu


 
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